quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

São Paulo terá centro de pesquisas em energia sustentável



São Paulo terá centro de pesquisas em energia sustentável
O Pólo Temático em Energias Renováveis e Meio Ambiente (Pólo Terra) ocupará uma área de 216 mil metros quadrados. [Imagem: Ag.USP]
Pólo Terra
O Estado de São Paulo está afirmando cada vez mais sua nova feição "bio", também na área de pesquisas científicas.
O estado é o maior produtor de biocombustível do país.
Agora, acaba de ser anunciada a construção de um novo núcleo focado em pesquisas em bioenergia, biomassa e sustentabilidade, que ficará sediado no campus da USP em São Carlos.
O Pólo Temático em Energias Renováveis e Meio Ambiente (Pólo Terra) ocupará uma área de 216 mil metros quadrados.
O principal objetivo do Pólo Terra será reunir especialistas das três universidades públicas do Estado de São Paulo (USP, Unesp e Unicamp) engajados em pesquisas relacionadas à geração de energia a partir de biomassa.
Esta integração pretende estimular e articular pesquisas sobre biomassa e tecnologias de transformação em biocombustíveis, além de promover e aplicar o conhecimento gerado.
Prédio verde
Os custos do novo prédio serão bancados pelo governo estadual, que contribuirá com R$ 20 milhões, pela Fapesp, que investirá nos projetos de pesquisa, e pela USP, que providenciará os recursos humanos necessários para o trabalho prático.
O prédio já tem um projeto pronto, apresentando uma área total que envolve 216 mil m2, divididos em três blocos. Contará com um teatro principal com capacidade para mil pessoas e dois espaços de 2.700 m2 cada, destinados a eventos, e um estacionamento para 1,3 mil veículos. Este novo centro de convenções é uma forma de a USP estreitar os laços locais e regionais, servindo tanto à universidade como à comunidade.
"Será um 'prédio verde'", afirma Igor Polikarpov, professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC). A estrutura do prédio deve estar preparada para aplicar, na prática, os princípios da sustentabilidade, constituindo um prédio ecologicamente correto.
"Teremos ventilação natural, captação de água pluvial, janelas basculantes no teto do último andar, para dispensar uso de energia elétrica, vigas de sustentação feitas de madeira, entre outras coisas. Nosso ambiente de trabalho será um reflexo das nossas pesquisas: um ambiente inteiramente renovável", refere Polikarpov.
Rede "bio"
Há uma crescente atuação das três universidades estaduais paulistas em biocombustíveis, o mesmo podendo ser observado na FAPESP, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - uma "vocação" que não deixa de ser curiosa, em se tratando do maior estado industrial do país.
Apesar dessa grande dedicação às áreas de biocombustíveis, energias renováveis e meio ambiente, os gestores das três universidades e da FAPESP acreditam que os grupos de pesquisa não estão adequadamente integrados, e "o conhecimento mútuo da pesquisa realizada nestas áreas é dificultado em grande escala pela dimensão e dispersão geográfica das instituições", segundo nota da USP.
De acordo com o coordenador geral do núcleo, Antônio Roque Dechen, o núcleo pretende implantar um programa de pós-graduação interuniversidades em bioenergia e sustentabilidade.
Estes grupos de pesquisa atuam nas mais diversas áreas relacionadas à bioenergia, que vão desde a agricultura e genética de plantas a impactos socioeconômicos e ambientais.
Devido a esta variedade de tópicos, o Pólo Terra foi estruturado em seis principais eixos, que cobrem todas as etapas da produção de energias renováveis: "Produção de Biomassa", "Genômica Funcional", "Transformação da Biomassa em Biocombustíveis", "Morfologia e Composição de Biomassa", "Processos Industriais" e "Sustentabilidade".
"Nós não queremos fazer apenas pesquisa básica", afirma Polikarpov. "Queremos também fazer pesquisa aplicada, que leve até a sociedade os benefícios daquilo que estamos fazendo."
A expectativa é que as obras tenham início em 2012 e sejam finalizadas em dois anos. "

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