sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Como fazer o upgrade do seu home theater

 
Com a rapidez dos avanços tecnológicos, a todo instante surgem novidades que fazem da obsolescência de nossos aparelhos um processo inevitável. Novas funcionalidades são inseridas a cada geração de produtos, e os hábitos das pessoas também mudam constantemente. Ocorre que nem sempre, ao atualizar um produto de áudio e vídeo, o nível de qualidade de todo o sistema é necessariamente elevado. Um receiver ou Blu-ray mais moderno, por exemplo, poderá não proporcionar maior fidelidade de áudio e vídeo; porém, irá permitir a compatibilidade com tecnologias avançadas e tornar seu uso mais prático e convergente no dia-a-dia.
Mas quais equipamentos e acessórios podemos agregar para, de fato, ter um upgrade no sistema. Quando é a hora certa de trocar os aparelhos? Questões como essas são feitas frequentemente por leitores que nos procuram em busca de orientação sobre qual produto comprar. Antes, é preciso levar em conta aspectos relevantes que serão decisivos para o melhor desempenho de um TV, Blu-ray player, sistema integrado de home theater, receiver ou um conjunto de caixas acústicas. A seguir, confira dicas importantes para atualizar seu sistema. E boas compras!
TV
Design mais sofisticado, maior resolução de imagem e menor consumo de energia são algumas das melhorias pelas quais passaram os televisores nesses últimos anos. A tecnologia 3D é outro avanço apresentado por essa nova geração de TVs, que já se destaca nas principais lojas de todo o País. Se você não tem em sua sala um TV Full-HD, é bom se apressar. Já são mais de 1.000 títulos em Blu-ray no Brasil com resolução de 1080p, além de dezenas de emissoras, entre fechadas e abertas, que transmitem sua programação em alta definição (1080i). Afora questões de ordem técnica, a escolha de um TV passa também pelos recursos e conexões.
Quem for comprar uma tela irá encontrar de três a cinco entradas HDMI, que não farão muita diferença a quem possui um receiver com esse tipo de conector, além de porta USB compatível com arquivos de vídeo em HD. Certos TVs vêm recheados de recursos, como acesso à internet, especialmente a sites como o YouTube, Picasa e portais de notícias com os quais o fabricante mantém parceria. O protocolo DLNA, que permite se comunicar com um roteador (com ou sem fio) e reproduzir arquivos de foto, música e vídeo em HD guardados em um computador ou celular compatível, também está presente nos novos TVs.
Outra funcionalidade que chega com os TVs mais sofisticados de marcas como LG, Samsung e STI é a PVR, ou gravador de vídeo digital, pela qual é possível gravar o conteúdo em HD transmitido pela TV digital em um disco rígido.
Qual é melhor: LCD, plasma ou LED-LCD?
Dentre as três tecnologias, a LCD é a mais antiga, porém faz apenas dois anos que conseguiu atingir bom desempenho no que se refere a contraste, taxa de atualização (240Hz) e menor tempo de resposta (2 milissegundos). Isso significa que, além de exibir níveis de preto convincentes, os melhores LCDs passaram a mostrar cenas rápidas com mais precisão, sem rastros e interferências perceptíveis à maioria das pessoas.
Recentes avaliações feitas por nossa equipe revelaram que os TVs de plasma também evoluíram consideravelmente nos últimos anos. Características como contraste e taxa de atualização (600Hz) foram aprimoradas, enquanto deficiências inerentes à tecnologia, como é o caso do efeito burn-in e o alto consumo de energia, foram devidamente controladas.
Com um visual ainda mais atraente, os LED-LCDs mais avançados conseguem combinar o melhor de ambas as tecnologias. Graças ao uso de backlight de leds, esses modelos apresentam maior contraste, com níveis de preto profundo, taxa de atualização de até 480Hz e menor tempo de resposta (1ms), além de baixo consumo de energia.
BLU-RAY
Se você foi um dos primeiros a ter em casa um Blu-ray player, certamente já percebeu que seu aparelho está há muito defasado. Os primeiros modelos apresentavam características de hardware denominado Perfil 1.0. Eram mais lentos para carregar e iniciar os discos e traziam poucos recursos para explorar toda a potencialidade do formato. Depois, vieram os players de Perfil 1.1, que tinham como principal atrativo a função Bonus View (PIP), presente em alguns discos.
Hoje, quase todos os aparelhos trabalham com Perfil 2.0 e têm como vantagem a conexão LAN (RJ-45), para acesso aos extras dos discos na internet – função BD-Live. E, dependendo do modelo, acessam sites como YouTube, Picasa e realizam atualização instantânea de firmware pela web. Esses players, em geral, são mais rápidos na reprodução de discos repletos de recursos especiais de autoração.
Praticamente todos os modelos são compatíveis com os codecs de áudio HD, Dolby TrueHD e DTS-HD, sendo que os topo de linha trazem internamente decodificador, para enviar a um receiver o sinal convertido em PCM. Cada vez mais convergentes, os novos players podem se comunicar sem fio com um roteador e reproduzir arquivos de foto, música e vídeo em HD guardados em um computador, através da rede DLNA.
A novidade em termos de tecnologia nos players está na compatibilidade com filmes 3D. Os principais fabricantes oferecem modelos aptos a ler esses discos e enviar os sinais, via saída HDMI versão 1.4, a um TV de terceira dimensão. Em seis meses, os players de Blu-ray 3D tiveram seus preços reduzidos pela metade e hoje podem ser adquiridos por um valor próximo ao de um modelo convencional. Portanto, se tiver que substituir seu Blu-ray player, dê preferência para um 3D.
HOME THEATER IN-A-BOX
Embora sejam práticos e fáceis de instalar, os sistemas integrados (conhecidos como HTBs, ou HT-in-a-box) têm como desvantagem as limitações para upgrade. Kits compostos por receiver e conjunto de caixas permitem a troca dos cabos de caixa, do subwoofer ativo ou do receiver, enquanto modelos integrados com leitor de discos impossibilitam substituir qualquer componente.
Se o seu problema é espaço e está feliz com esse tipo de equipamento, a onda agora são os integrados com leitor de Blu-ray. Além de oferecer processadores internos para as trilhas HD dos filmes, muitos desses sistemas contam com recursos vistos em players atuais, incluindo a visualização de extras dos discos na web (BD-Live) e sites como YouTube, Facebook e outros parceiros do fabricante. Alguns modelos também usam a rede WiFi para o acesso à internet e arquivos de foto e música armazenados no PC, através do protocolo DLNA. E, se o excesso de fios lhe incomoda, é só adquirir um sistema que traga (ou que seja compatível com) caixas acústicas traseiras wireless.
Em relação a conexões, os sistemas in-a-box formados por receiver e caixas são mais completos, com boa variedade de entradas digitais e analógicas. Há ainda alguns kits integrados com Blu-ray dotados de duas entradas HDMI, para a conexão de console de games e receptor de TV paga.
Potência
Além da qualidade sonora de um kit in-a-box, é preciso tomar cuidado com a potência. Muitas vezes, os números de até quatro dígitos em destaque nos folhetos, embalagens e materiais promocionais se referem a medições feitas em situações especiais e pouco representativas do uso normal desses produtos.
Nesses casos, a potência geralmente é extraída a partir de uma frequência específica (1kHz) e a uma distorção harmônica total mais alta, geralmente acima de 10%, em relação a um receiver ou amplificador modular, que é de menos de 0,05%. Por isso, sempre recomendamos que antes de decidir pela escolha de um HTB procure avaliar o seu desempenho na prática, para saber se a potência liberada pelo equipamento corresponde às suas expectativas.
RECEIVER
Com a chegada do formato Blu-ray ao mercado internacional, em 2007, praticamente todos os receivers passaram a ter processadores Dolby HD (TrueHD/Digital Plus) e DTS-HD (Master Audio e High Resolution). Esses codecs são encontrados nos discos de alta definição e possuem qualidade superior aos Dolby Digital e DTS tradicionais. Tanto Dolby TrueHD quanto o DTS-HD Master Audio têm a vantagem de preservar as trilhas com melhor fidelidade sonora dos filmes e shows, uma vez que podem comprimir os dados sem perdas de qualidade.
Conexões
A variedade de aparelhos de áudio e vídeo com saída HDMI - como Blu-ray, DVD, videogame, media center, receptor de TV paga e conversor digital de TV aberta - exige um receiver com maior número entradas. A maioria dos receivers com cinco terminais HDMI são mais avançados, de maior potência e com preços relativamente mais altos.
Uma solução adotada por alguns instaladores em sistemas com muitos equipamentos é o seletor HDMI, também chamado de switcher HDM. Esse acessório pode receber o sinal de duas ou mais fontes (há modelos com seis conectores), retransmitindo-o para qualquer entrada HDMI correspondente no receiver. Há alguns inconvenientes, como o chaveamento dos aparelhos diretamente no acessório, embora certos modelos tragam controle remoto e até interface de comunicação com sistemas de automação.
Atualmente, a conexão HDMI está na versão 1.4, que atesta a compatibilidade com sinais de vídeo Full-HD 3D. Caso você já tenha TV 3D e Blu-ray player 3D e não planeje substituir o receiver por conta desse detalhe (importante), a saída será conectar a parte de vídeo do player diretamente ao TV, sem passar pelo receiver. A desvantagem: perde-se o processamento das trilhas de áudio HD, exceto se o Blu-ray player dispuser de duas saídas HDMI.
Potência
Se a ideia é aumentar a sala onde está o home theater, ou trocar as caixas acústicas por modelos mais refinados e de maior potência admissível, é bem provável que o rendimento do seu receiver não seja capaz de satisfazê-lo como anteriormente. Caso não pense em substituir seu aparelho, mas deseje turbinar a potência do sistema, a dica é partir para um amplificador multicanal.
O amplificador deverá liberar maior potência e ser conectado, por meio de cabos analógicos RCA, às saídas pré-amplificadas de 5.1 ou 7.1 canais disponíveis no receiver. Este passará a atuar como um pré-amplificador ou processador de surround: irá processar e dar ganho aos sinais de baixo nível vindos de players de Blu-ray, DVD, console de games e decoders de TV paga antes de serem levados ao amplificador. A este caberá então amplificar os sinais e gerar a potência necessária a ser distribuída às caixas. Há no mercado amplificadores compactos, de marcas como Rotel e Absolute Acoustics, a custos mais acessíveis e recomendados para esse tipo de aplicação.
Recursos
A nova safra de receivers inclui função multiroom com saídas pré-amplificadas de áudio, que permitem estender a sonorização para dois ou três ambientes distintos (dependendo do modelo). Boa parte é capaz também de levar sinal de áudio amplificado para as caixas num ambiente secundário, dispensando o uso de um amplificador à parte. Alguns modelos dispõem de conexão de rede (com ou sem fio) com objetivo de sintonizar rádios on-line e buscar arquivos de fotos e músicas armazenadas em computador, por meio do protocolo de comunicação DLNA.
CAIXAS ACÚSTICAS
Quem acompanha as novidades em caixas acústicas sabe como a evolução nesse setor ocorre de maneira menos visível e mais audível. Embora atualmente encontremos caixas com design que lembram obras-de-arte, as mudanças privilegiam substancialmente componentes internos, como drivers, crossover e cabeamento. Exemplo disso são materiais como polipropileno, fibra de carbono, alumínio e kevlar, que gradativamente substituíram a fibra de celulose aplicada nos cones dos alto-falantes de caixas mais antigas. Além disso, a construção dos gabinetes em MDF, alumínio, plásticos ABS e outros materiais compostos, minimiza ressonâncias (vibrações) e ajuda a proporcionar melhor sonoridade.
Ao trocar seu receiver por outro modelo mais potente, esteja certo de que as caixas tenham capacidade de aceitar potências mais elevadas sem grandes problemas de distorção ou danos aos alto-falantes. As trilhas de áudio HD dos discos Blu-ray normalmente exigem resolução sonora e resposta mais precisas por parte das caixas. O surgimento de centenas de fabricantes nos últimos anos trouxe uma variedade de modelos do tipo bookshelf, satélite (mais compacta) e torre. Quem deseja privilegiar a decoração, no entanto, poderá optar por caixas in-wall (de embutir na parede) ou in-ceiling (teto) para os canais traseiros.
Para quem busca maior envolvimento nesses canais de surround, a adoção de caixas dipolares – com dois conjuntos idênticos de falantes montados em lados opostos do gabinete – é a melhor solução. Mais recomendadas para a reprodução de filmes, as dipolares foram desenvolvidas para criar maior ambiência, através da propagação difusa dos sons de forma a preencher todo o ambiente. Algumas caixas para surround têm gabinete horizontal, mas não se engane: são do tipo radiação direta, cujos falantes estão expostos somente em uma das faces do gabinete. Preferidas dos ouvintes mais exigentes para audição musical, essas caixas costumam ter uma dispersão aprimorada, a fim criar um campo sonoro mais envolvente, sem perder em definição.
Para o melhor aproveitamento dos impactos dos filmes, um subwoofer ativo deve ter potência de no mínimo 150W RMS e woofer de 8", caso o ambiente tenha dimensões até 15m2. Modelos mais refinados possuem resposta precisa nas frequências próximas a 20Hz, traduzindo-se em graves rápidos e profundos.
Texto originalmente publicado na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL

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