Já abordei o tema há pouco mais de um ano, quando divaguei sobre a possibilidade dos cameraphones aposentarem as câmeras compactas. Na ocasião, o TechCrunch acabara de chamar a atenção para o fato de o iPhone 4 estar prestes a se tornar a “câmera” mais usada pelos usuários do Flickr, à frente de todas as câmeras "de verdade".
Há que se lembrar que esse ranking não mede o quanto as câmeras são usadas, e sim o quanto as fotos tiradas com elas são compartilhadas no Flickr. Logo, como os smartphones facilitam incrivelmente o compartilhamento, é natural que ganhem destaque. Ao mesmo tempo, vê-se que quem mais se dá ao trabalho de publicar fotos de câmeras “de verdade” são os aficionados, donos dos modelos mais sofisticados.
O que já existe
À medida que as câmeras dos celulares vão melhorando, a necessidade de uma câmera dedicada vai diminuindo. Os primeiros cameraphones sofriam com a resolução ruim, o que deixou de ser um problema nos modelos de 2 megapixels para cima, como o primeiro iPhone. Os celulares atuais já têm muito mais pixels do que isso, mas neste patamar a resolução por si só nem faz mais tanta diferença.
Resolvida a questão da resolução, a maioria dos celulares deixava a desejar na qualidade ótica, por conta das lentes de foco fixo – que também se tornaram coisa do passado: o iPhone 3GS, só para seguir nos exemplos da Apple, já tinha foco automático. A diferença é gritante: numa câmera de foco fixo, a imagem acaba não ficando totalmente nítida em quase nenhuma distância. Na de foco variável, perde-se alguns milissegundos até a câmera encontrar o ponto do foco ideal, mas o resultado é bem melhor.
O que falta?
O que mais os celulares precisam para sepultar de vez as câmeras compactas? Eu apostaria em quatro funções: zoom, estabilizador ótico, controle de exposição e flash.
O zoom até já apareceu em alguns modelos, mas nada que se compara aos 5x de uma câmera ultracompacta. Menos ainda se falarmos dos modelos superzoom, com 20x, 30x de zoom ou até mais. E não pense que um celular precisaria ter uma lente enorme saltando para fora: bastaria usar o artifício da ótica dobrada, em que um espelho desvia a imagem para um conjunto ótico embutido ao longo do corpo do aparelho.
O estabilizador ótico é até mais fácil de resolver. O próprio iPhone 4S já é capaz de usar as informações captadas por seus giroscópios para compensar as tremidas durante a gravação de vídeos. Falta usar esses mesmos sensores para mover a lente ou o sensor no sentido oposto, como fazem a maioria das câmeras de nível intermediário para cima. Com isso, ficaria bem mais fácil capturar fotos nítidas sem se preocupar em tremer a mão.
Outra coisa que faz falta, especialmente para os fotógrafos mais empenhados, é o controle sobre a abertura e a velocidade do obturador. Sem isso, fica complicado congelar um movimento mais rápido, variar a profundidade de campo, desfocar o fundo das imagens e assim por diante.
Por fim, embora muitos celulares já tenham aquele LEDzinho ao lado da lente para ajudar a iluminar a cena a ser fotografada, isso não substitui um flash de verdade. Até existem modelos com flash de Xenon, mas eles são a exceção à regra. E, verdade seja dita, incorporar um bom flash a um celular sem transformá-lo naqueles tijolões de antigamente pode ser algo bem complicado, pois ele não pode ficar muito próximo à lente e exige mais capacidade da bateria.
E quanto às reflex?
Já quando o assunto são as câmeras com lentes intercambiáveis, sejam elas reflex ou EVIL, o desafio para os celulares torna-se um pouco maior. Primeiro, porque como o tamanho físico do sensor está diretamente relacionado à qualidade da imagem, câmeras maiores, com sensores maiores, sempre terão alguma vantagem.
Claro que os entusiastas fazem pior do que isso com suas bolsas cheias de lentes, mas aí se está abrindo mão de uma das principais vantagens dos cameraphones, que é o fato de eles estarem sempre com você. Neste ponto, não resta dúvida: os celulares já substituíram as câmeras.
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