“Será que todos estes problemas são realmente tão difíceis de resolver, ou nosso modelo atual está completamente errado? O modelo que usamos atualmente data do final da Segunda Guerra, quando foram criadas uma série de instituições globais como o Banco Mundial, as Nações Unidas, etc. Se você for a uma reunião de uma destas instituições, as únicas pessoas que podem votar ou falar são os representantes formais, você não pode falar, não tem voz. Este é o modelo que tivemos nos últimos 60 anos, e que não funciona”, conta Tapscott.
Para Tapscott, a segunda revolução que pode resolver os problemas do mundo é a demográfica. “A maior parte de vocês na plateia nasceu depois de 1977. Vocês são a primeira geração a crescer usando tecnologia digital. A minha geração cresceu assistindo TV, mas a sua geração não é uma receptora passiva de conteúdo. Vocês são os atores, os iniciadores, os compositores, aqueles que se lembram, os construtores, os autenticadores. Não existe força mais poderosa para mudar a instituição do que a primeira geração de nativos digitais. Eu sou um imigrante digital, eu preciso aprender a linguagem. Eu estudei 11 mil jovens em vários países do mundo, incluindo o Brasil. Esta é a primeira geração global da história. E a razão para isto é que a juventude de todos os países nunca teve uma forma de se comunicarem, e agora vocês têm isto.”
A terceira revolução está em andamento, é a social. “Eu não estou falando de um bilhão de pessoas no Facebook, a mídia social está virando produção social. Não é apenas conversar online, isto é um novo meio de produção. Isto pode mudar não apenas a maneira como colaboramos, nos comunicamos, nos apaixonamos e nos informamos sobre o que nossos amigos estão fazendo. Isto pode mudar profundamente a estrutura, a arquitetura de uma corporação, como orquestramos nossa capacidade para inovar, criar produtos e serviços. Na Campus Party, você vê várias organizações colaborando para resolver problemas, para criar renda, para criar uma nova startup. Estamos em um tempo de grande empreendedorismo, e podemos ver isto no Brasil, onde uma pequena empresa pode ter o mesmo desempenho de uma grande empresa, sem a burocracia.
“Cada vez mais temos uma economia global”, conta Tapscott. “Nós precisamos repensar a maneira de enfrentar o problemas. O grupo Invisible Children, por exemplo, tomou para a si a missão de denunciar Joseph Kony para o mundo inteiro através de um vídeo. Kony é um tirano responsável pelo seqüestro de 65 mil crianças em Uganda. As meninas viram escravas sexuais, e os meninos viram soldados e os que não obedecem têm o rosto cortado, ou precisam ir matar suas próprias famílias. Na segunda que vi o vídeo ele tinha 12.000 visualizações, quando olhei novamente na sexta, 81 milhões de pessoas tinham visto o vídeo. O resultado é que o tirano Kony ficou famoso, e teve que fugir do país.”
Tapscott diz que o Wikileaks é parte deste novo modelo, assim como o Creative Commons e a The Alliance, organização que luta pela proteção do clima. Embora controverso, outro exemplo de como mudar o mundo é o Anonymous, na verdade um ecossistema ao invés de uma corporação. Seu lema é: “Você não deve temer seu governo, ele deve temer você.”
Tapscott diz que “a auto organização sempre esteve presente na história humana, citando como exemplo a língua, a ciência e até mesmo os governos. A diferença é que o que antes levava muitos anos, agora acontece rápido.” Comparando a revoada de pássaros com uma rede, ele diz que “existe liderança, mas não existe líder. A proximidade entre os pássaros protege do frio durante a noite quanto dos predadores”.
Com este novo modelo para mudar o mundo sem a participação dos governos, você pode não só ler um livro, mas também publicar o seu próprio. Não apenas ouvir uma música mas também remixar. “Imagine por um segundo se podemos nos conectar ainda mais neste planeta. Não apenas compartilhar informação e sim conhecimento e inteligência. Podemos criar uma consciência global”, concluiu.
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